quinta-feira, 17 de novembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
Luíz Pacheco
A próxima criancinha a desaparecer sou eu
Foi em Palmela que entrei numa
parvoíce entre um incontável número delas que, em mim, posso assegurá-lo,
explodem por gestação espontânea, como as silvas, as alcachofras, os
trevos…Tudo o que é mato!
E a parvoíce em causa ocorreu na
presença de dois colegas e de duas pessoas que me eram desconhecidas. Sem
qualquer propósito, como quem atira à queima-roupa, o que me deu para dizer?
Nem mais, nem menos do que isto:
“Imaginem que há um bom par de
dias tenho andado à procura do doido do Luís Pacheco, e nada!”
E à falta de qualquer reacção
exclamativa, sequer umas subtis reticências, continuei:
“Olhem que até cheguei a ir,
ontem, ao Júlio de Matos!”
Sem eco algum por parte dos meus
ouvintes, e achando por bem acabar depressa com a questão introduzida,
arrematei:
“ Segundo um funcionário daquela
instituição, o gajo teria já saído há bastante tempo. Paciência!”
E foi então que, em acabando de
mandar esta boca, um dos dois desconhecidos me interpelou do mesmo modo com que
lhe poderia ter dado para um puxão de orelhas:
“ Mas o meu pai nunca esteve no Júlio de Matos!”
Aí, de mim para mim, e dando um passo atrás como quem acaba
de ser baleado:
“Ó, desgraçado! já acabaste de ganhar o dia! Ora, quando é
que aprendes a ter algum tento na língua?”
E, de imediato, para o desconhecido, tentando branquear o
suposto equívoco:
“Afinal, apenas me limitei a
seguir a indicação dada por um amigo de que se encontrava lá, e eu queria
falar-lhe”
Dizendo isto, dei às de Vila Diogo,
despedindo-me dos dois colegas bem como dos dois desconhecidos, às cambalhotas
cá por dentro…
Passado, não importa quanto tempo, um, dois, três meses,
peguei na “ Comunidade” do Luís Pacheco e pus-me a relê-la. E ao relê-la, a
certa altura, perguntei a mim mesmo:
“Por que não a retalhas como se
faz ao pão, às fatias, e entre os espaços não lhe metes música para ver o que
dá?”
De seguida, dando continuidade a
alguns monólogos que, já nessa altura, me habituara a travar comigo
acrescentei:
“ Vá lá, pega nessa pequena e
grande estória, ( uma 7ª edição dedicada a “ Mário Cesariny de Vasconcelos,
poeta do corpo”) e, para a frente é que é o caminho, pois não existem provas que a coisa não resulte”
E Fui. Logo que cheguei casa,
pus-me a fragmentar a “Comunidade” sem alterar a ordenação, mantendo o mesmo
fio condutor com que o Pacheco a escreveu. Nada de adicionar ou subtrair o que
quer que seja, entremeando-a apenas com a anotação de uns trechos musicais que
ainda recordo: da Edith Piaf, ( La vie
en Rose, salvo erro); do Léo Ferré; do Bruce Springsteen; dos Doors; não
sei porque carga de água do Vangelis no L’ Apocalypse… Tudo isto e mais uns
outros, para além de alguns efeitos especiais que pudessem sugerir a ondulação do mar, nuns casos, do vento, noutros…
Acabado este trabalho, peguei no telefone para
contactar o Moreno Pinto perguntando-lhe:
“Será que poderei, amanhã, ao
princípio da tarde, fazer uma gravação?
Pelo que me respondeu:
“Sim, o estúdio está disponível.
Aparece!”
E, no dia
seguinte, comecei a gravar o livro com o apoio técnico do Moreno recheando-a,
aqui e ali, com os textos musicais previamente seleccionados e de acordo com o
guião manuscrito que havia concebido entre os joelhos. Não sem antes ter dito
para o microfone uma frase que ainda a conservo bem presente, extraída dos “
Exercícios de Estilo” do LP:
“ A próxima
criancinha a desaparecer sou eu”
Ao cabo de duas
horas, com a missão cumprida, o M.P, muito competente e pessoa que eu estimava
disse, provavelmente, para me agradar:
“Parece-me estar muito bom”
E eu:
“Oxalá que não
tenha ficado muito mal…”
Era Agosto e, no
dia seguinte, já com as malas feitas, pirei-me com a Guida e uns amigos para o
Norte. Ora, como as ondas hertzianas da Telefonia de Lisboa, ali, no Bairro
Alto, não chegassem tão longe, nunca mais pensei no programa. Mas sei,
entretanto, que através de uma pessoa
(que não recordo quem seja) foi comunicado ao L .P a transmissão da peça prevista para uma data
muito próxima…
Acabado o tempo
de veraneio, e regressado à Telefonia para a produção de mais um programa do
“Astrolábio”, um colega da rádio interpelou-me, logo, á entrada da emissora
dizendo:
“ Olha que uma
hora depois da tua gravação ter ido para o ar, o L P apareceu por aqui, para
dar um abraço ao cabrão que lhe tinha pregado semelhante partida…”
E outro colega
completou:
“ E trouxe duas
embalagens cheias de pastéis de nata de Belém que distribuiu por todo o pessoal
sobrando ainda uma porção deles…”
E o primeiro
colega acrescentou:
“ Pasteis e uma
mão cheia de livros, pedindo para te entregar dois, e que lhe ligasses para
este número que ele quer falar-te”
E o segundo
colega voltou:
“ Sabes que o
gajo estranhou não te ter visto, perguntando por onde é que andarias, sendo de
todo previsível encontrar-te aqui... Se serias algum espírito santo a voar por
todo o lado ou, hipótese mais plausível, um demónio…”
Depois destes
breves dedos de conversa, peguei no par de Comunidades deixado para mim,
deparando numa delas ( na página consagrada ao título da obra, autoria do
escritor e dos desenhos nela contidos ( Mar) um texto manuscrito pelo punho do
Pacheco:
“ Gostei de te
ouvir e pior: lembra que sou cardíaco. O programa teria agradado? Eu, ao
ouver-te ( ? ) capacéssimo, não chorei por vergonha - de gozo, de prazer, de
SÔDADES, e tinha-me prevenido com ½ flindix ( ? ) e ½ valium 10 “
E, ainda,
caligrafado na vertical (para suprir a falta de espaço) a assinatura á qual
acrescentou a data da sua passagem pela Telefonia de Lisboa, em 8 do 8 de 88 :
“ Obrigado e
gostaria de te conhecer. VALE? “
Não lembro quanto tempo depois disquei o número de telefone para
combinar com o Pacheco o dia e o lugar do encontro que haveria de ocorrer na
entrada da Universidade Clássica de Lisboa. E, embora nunca o tivesse visto, ao
vivo, reconheci-o de imediato, pois não me pareceu poder ser outro: com umas
calças muito largueironas, esverdeadíssimas, sapatos com os atacadores ao
vento, armações de óculos, grossas, um pouco magro, sim, só poderia ser ele!
Então cumprimentamo-nos e não sei qual de nós foi mais entusiasta nas
considerações que fez. Ele sobre o programa que estava uma “boa merda”; eu,
sobre o seu livro que, de tanto gostar, o impingia aos amigos lendo-o em voz
alta.
Acabada esta
troca de galhardetes, logo o Pacheco, com quem esperava ir beber um copo,
inesperadamente, se apressou a mostrar urgência em apanhar o Metro, pelo que me
dispus a conduzi-lo até à estação do Campo Grande, no 127.
Embora o
trajecto fosse curto, é para esquecer… Tal como os ruídos expelidos pelo tubo
de escape roto e do trânsito penetrando pela janela, que o Pacheco fez questão
em manter toda escancarada, suponho eu, para respirar melhor…
Sem exageros e,
não padecendo, nesse tempo, de falta de audição, não fui capaz de agarrar uma
palavra, apesar de ele falar, falar durante todo o itinerário…
Só quando
chegados ao objectivo previsto, com o motor calado, e apeados no passeio, pude
ouvi-lo com muita clareza. Disse então:
“Moro na rua… (
fosse lembrar-me qual) e caso queiras aparecer… a gente abre uma garrafinha do
tintol e serramos algum presunto… Mas presta atenção: terás que tocar à
campainha ( ou seria um batente?) e
se, porventura, não te abrir a porta,
então, pegas num calhau e atira-o contra o vidro da janela. Mas com o devido
cuidado, não vás parti-lo… É que a filha da puta da vizinha de cima mói-me a
tola com a Rádio Renascença sempre aos berros e eu para a calar, abro o volume
todo, mas todo da Rádio Comercial…
Nunca
correspondi ao convite do Luís Pacheco em aparecer-lhe, sendo que os
compromissos com a rádio, os trabalhos impostos pela Faculdade, o tempo, sempre
pouco e vertiginoso dedicado ao enamoramento da altura, a par de outras
ocupações, não servirão plenamente, talvez, para justificar a minha falta...
Não apareci e,
claro, hoje é demasiado tarde para voltar atrás!
E, também,
jamais voltei a ouvir a cassete com o registo da emissão. Sequer sei onde encontrá-la.
E que razão há, hoje, em procurá-la?
R. M
Lisboa, 19 de
Janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Aldeia da Luz
A brancura da casa da Vicência não se fica só por fora. É também por dentro. Cobre as paredes das divisões; estampa-se nos cortinados de renda que caem das janelas; no ferro das camas, das almofadas e colchas; em algumas louças de servir à mesa. Mesmo quando salpicadas por raras flores coloridas ou cintadas por finas faixas de cor. É uma alegria branca, que limpa e refresca os olhos, sobretudo, quando me fixo na tristeza deste chão de lousa, rosa escuro, tão envelhecido pelo andar dos pés e do tempo.
E tanto a imagem de brancura da casa me atrai, que mal ouço a Vicência aceitar alugar-me um dos quartos para vir a ocupá-lo no próximo mês de Agosto, ainda tão a milhas de distância...Ao transpor a soleira gasta da porta, por pouco o bafo de calor não me sufoca.Toda a aldeia, despovoada, ferve! Há de ser este o ar aproximado ao que se respira às portas do inferno para quem nele acredita! E quanto faltará para que este sol não comece a abrir sulcos na pele e a encegueirar os olhos?
Mas por ora, o que importa, é chegar ao largo; depois, atravessar os campos, calcorrear a estrada retilínea, que varia de extensão segundo a temperatura do dia, até alcançar, por fim, a velha igreja.
O que me atrai, porém, é aquela gota de água, que vai inchando na bica até cair a prumo. E logo o movimento de vaivém que imprimo à manivela, e faz jorrar, grossa, ás golfadas, a água com que ensopo a cabeça escaldante, mato a sede e ganho ânimo para trepar pelo cabeço até ao cume onde se encontra o cemitério: uma reprodução em miniatura - eis o que me ocorre - da própria aldeia que se avista ao longe...
Um lugar onde apenas a luz faísca sobre a aridez marmórea das lages sepulcrais, caso não queira dar mais conta de nada...
Mas eu quero! E é então que, pouco a pouco, começo a ouvir vozes, como se florissem através dos poros da terra; sombrias vozes, anestesiadas por um prolongado sono, esfriando momentaneamente a luz... Subterradas vozes que, sem deslindar o que dizem, causam arrepios. Como se, de súbito, fôssemos acometidos por um febrão! E eu voltasse a ter a doença que tive em menino! Não! O melhor é deixar de desatar os nós destas lembranças, apressar o passo, sair, ouvindo apenas o gemido do portão a soar atrás de mim!
Olho as esguias cruzes de pedra, que se encontram em torno do cemitério,vagueando, errantes, pelo declive, quais figuras humanas de braços abertos. Sim! A sede voltou e há que descer o pequeno cerro e dar, de novo, à manivela do poço.
E vai uma coca cola! E vai um ice tea! Mas é o espírito frio e acre das minis, com tremoços ou amendoins, que têm mais saída. Bebem-na os homens. E também eu, outra e outra, com os cotovelos apoiados no balcão, enquanto a tarde avança... E não ser possível imobilizar os ponteiros do cronómetro do tempo por uma hora que fosse, quase me revolta!... Sobretudo, a partir deste instante, em que a telefonia se calou de vez, não tardando a que, tanto os homens como as aves comecem a debandar...
Aldeia da Luz, 2001
domingo, 6 de novembro de 2016
Visita Guiada (1)
Desço à cave das minhas ocupações purgatórias. Abro a porta, tateio a parede até ao clique do interruptor. A escuridão ilumina-se. É aqui que eu respiro como em nenhum eucaliptal. É a bem dizer o único espaço da terra onde eu fico plenamente comigo ou com a sensação disso.
Os ponteiros do relógio suspenso na parede defronte indicam três e trinta. Não sei se da madrugada, se da tarde, pois desde há largo tempo que se mantêm paralisados. Sobre o mostrador, revestido por uma ténue película de pó, repousam em paz. E ainda bem, porque quando me fixo neles, transmitem-me uma noção de paragem do tempo, que muito convém a uma pessoa sempre tão apressada como eu; que não deixa de sentir, de quando em quando, a necessidade de fazer um stop; de abstraidamente deixar o cigarro abandonado no cinzeiro, ardendo até à fronteira do filtro.
Quando olho para o relógio, chego mesmo a pensar que ele se substitui a um crachá que me pessoalizasse, ou a uma espécie de brasão sem qualquer aristocracia.
A cave é o meu feudo. Um domínio que ninguém pisa. Porque subterrânea, eu diria mesmo que ela prolonga as coisas que me são interiores, as menos visíveis. As que se ocultam debaixo da pele e das quais, em certa medida, eu dependo para respirar. Como um pulmão. A cave é, à luz disso, o meu segundo pulmão.
Porém, e por qualquer razão que perde nitidez aos meus olhos, uma secreção mais intensa de qualquer glândula, um excesso de acidez, sei lá, eu disponho-me excecionalmente a franquear-te o acesso à minha cave. Não fisicamente, claro, mas com a tua participada imaginação.
Cuidado com o último degrau! Observa como faço penetrar a chave na fechadura apenas através do olhar do tato. Para esta operação, como um cego dispenso a visão das retinas. De luz, já acesa, não terei logrado surpreender-te... Mas aguarde-se. Ao primeiro relance, a minha cave não se distinguirá de muitas outras tornando-se, apesar de tudo, evidente nunca a ter ocupado com nenhuma arte oficinal. Como o restauro de móveis que, no andar que habito, se vão desengonçando por ação das brocas corrosivas do bicho da madeira e de alguns maltratos meus, por vezes, tão mecânicos e precipitados.
Aparentemente a minha cave não testemunha nenhuma ocupação com qualquer hobby. Erro teu!... Comece-se por dar atenção àqueles contentores de plástico, uns verdes, outros brancos, ali, ao fundo. Devidamente empilhados, não trepam até ao teto para não deformarem os que se perfilam rente ao soalho. Seria o caos! Libertando a tampa de um deles, atenta ao seu conteúdo. São pedras. Pedras e mais pedras. Aos milhares, variando de espessura, cor, peso e forma, havendo, casos raros, uma ou outra que exceda o volume da minha mão fechada.
São pedras da terra que cheiram a um tempo antiquíssimo, levantadas por mim do chão, quase sempre basáltico, em tempo seco.
São pedras opacas, densas, duras, ásperas ou polidas, de aspeto mais ou menos regular. Não são preciosas no sentido petrológico do termo... mas são-no ao meu afeto, bem como ao meu próprio tato quando lhes pego. E mais ainda à minha capacidade de gozar com a leitura que faço das suas arestas, ondulações, serrilhas, gumes e outras asperezas...
Eu posso tratá-las, de uma forma que sei, especializada ou, mais familiarmente, por tu. Prefiro a última, que traduz uma comunicação mais livre, com a vantagem ainda de, deste modo, lograr possivelmente atrair mais a tua atenção sobre elas.
As pedras não são seres vivos que mexam pés, cabeças ou dedos, mesmo que estes movimentos se tornem apenas perceptíveis através da filtragem ampliadora de um microscópio. Nenhum sopro as move por dentro. São inércia. São de uma insensibilidade atroz. Indiferentes ao mundo, nem sequer vegetam. E, contudo, afirmo-te eu com a maior das convicções, elas são dotadas de outros atributos, não mais pobres dos nomeados. Como, por vezes, é tão ilusória aquilo que se toma por realidade. E o contrário disso! Experimenta pegando nesta pedra leve e curiosamente tão geometricamente regular. Sente. Não ficas a conhecer a sua temperatura? Não é um pouco mais baixa da do ar que se respira nesta cave? Apura a sensibilidade da polpa dos teus dedos. Não é capaz de cortar? Libertando-a do pó, toca-a com a língua e os dentes. Nenhuma sensação a dureza, a resistência, a eternidade ou quase eternidade? E, por fim, apura o teu ouvido. Apenas silêncio? Vá! Aplica o teu ouvido de uma forma inabitual, como se, de catana em punho, quisesses abrir por entre uma densíssima senda de ramos, teia de troncos, a mais espessa folhagem, um estreito caminho, uma pequena clareira.
Escuta-a através de uma audição que não é menos tua, mas que nunca cuidas em exercitá-la. Escuta. Sim. Escuta. Um ruído que parece formar-se de um redemoinho de água. Outro que parece vomitado pela cratera de um vulcão. Outro ainda que, de tão longínquo, se perde no Cosmos. Vem do Cosmos. É devolvido ao mistério isondável do Cosmos. Mas depois atenta para outros ruídos que sobem e descem dentro de si, e mais próximos de ti. Não os reconheces? Exatamente! Sons de quem martela, usa bigorna, modela a vida com o barro que dispõe; sons de quem está cativo e chora; livre e grita. Sons de quem transporta em si mesmo a seiva do sangue, um esqueleto de nervos e ossos; um coração que, ao contrário dos ponteiros do relógio, tem o seu tiquetaque mais apressado quando corre; mais compassado quando quietamente adormece.
Sons que parecem produzidos por zumbidos de abelhas ou asas de aves. Sons que, alinhados paralelamente a estes, parecem vir do berço ou da pequena cama da tua infância. Sons da ( tua) humanidade, concentrados na proeza desta pequena pedra. Perguntarás: arqueólogo, tu? Nem pensar. Simples colecionista? Se tal for possível, menos do que isso. Apenas pelas sensações puras e intransmissíveis.
Há quem vá ao cinema com a expectativa de sentir uma aventura, que é sempre do outro, e simular vivê-la. Há quem acumule frascos de perfume pela sensação que comunicam fluidos especiais ao serem usados nas trocas e andanças do quotidiano. Há quem viva mais penetrantemente ante a visão da morte de um touro uma arena. Há quem. Há sempre um quem qualquer que procura, com maior ou menor grau, deixar-se perpassar por uma ou mais sensações. De outro modo, como teriam elas a consciência de que viver pode, aqui e além, ter sentido e ser prazer?
A recolha que fiz destas pedras deve-se, pois, tão só à necessidade física e mental de descer ao tempo humano e não humano. De sentir, através desse mergulho, a vertigem e o impacto ao bater no fundo, impossível de vislumbrar à superfície da água.
Mas deixa-me agora mudar de agulha, conduzindo-te para outro espaço da minha cave. Apenas mais cinco ou seis passos para a direita...Não mais!
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