quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Passar à Frente ( Fevereiro,2010)


       Duvido que alguma vez volte a passar por aqui com o propósito de injetar mais pixels a esta imagem; de refazê-la com uma cosmética digital primorosa; de varrê-la de todas as impurezas que afetam a matéria aquosa, aérea e terrosa desta fotografia e do olhar.
       A não ser que a varinha mágica do tempo se encarregue de  alterá-la, enegrecendo-a nuns pontos, esbranquecendo-a noutros, restituindo, enfim,  o que lhe falta:
      A gama de cinzentos visíveis no negativo; a transparência, os detalhes, a definição.

Ponta da Erva (Fevereiro,2009)

A verdade é que, ao longo de muito tempo, nenhuma mudança havia senão as marcadas pelo ritmo das estações e das marés. Até o marco geodésico cimentado a uma das paredes da casa do guarda se abater sobre ela, arrasando-a  pedra a pedra, telha a telha. Nem mesmo o par de palmeiras acabaria por escapar ao raio duma peste, propagada sabe-se lá por quem. E de que servirá lembrar o tosco ancoradouro de toros de madeira para sempre votado ao abandono? A bem dizer, só os sais de prata da foto tirada ao Gil, com um grande ramo de flores silvestres destinado à Margarida, sobreviveram.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Salgueiros (2009)


 

Sem dúvida que estes Salgueiros foram adubados com mais pixeis, havendo o cuidado na sua maquilhagem ao explorar-se o contraste e realçando-se certos detalhes…

     Apesar destes esmeros, a foto afigura-se-me aquém do desejável e, sobretudo, bastante fria.
     Por ter sido tirada numa tarde invernosa? 
    Ou lhe faltar a língua de uma fogueira abrasando o ar?