domingo, 16 de dezembro de 2018

Só de Ovos! (Março/2006)

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     Sobem pelos  rios onde desovam e morrem segundo o  desígnio da natureza ou nas malhas de uma rede. No último caso, são guisadas, servidas com arroz, havendo ainda quem as prefira assadas no espeto ou as prepare em escabeche.
       Para muitos, uma verdadeira iguaria, degustada em certos santuários gastronómicos implantados à beira rio!
       Quanto a  mim, o " horror visceral” por este ciclóstomo não será menor que o do João Gouveia pelo pepino.
       Lampreia, pois, só de ovos. De Tentúgal ou confecionada pela tia Amélia.

sábado, 24 de novembro de 2018

E a cada página folheada

                    
 Ao  Rui Fabião: imagem e texto.



E a cada página folheada, um morto e outro e outro morto. Uma sucessão quase imparável, interrompida apenas quando a foto é de uma criança, jovem mulher ou homem, e que hoje estão bem, mal, assim assim na vida.

Mas estes, os vivos, contam-se pelos dedos, que os retratos tirados há cerca de uma década foram quase todos a velhos, bem mais numerosos na aldeia. Muito mais.

E penso como se nunca tivesse pensado antes: a morte não tem fim. Está sempre em marcha e vem aí....

Depois, fecho o livro de fotografias, abandonando-o sobre a mesa, com a contracapa voltada para o teto da casa.  E despeço-me: Adeus!