terça-feira, 25 de setembro de 2018

estúpidos poemas


Se te ouvi? Sim
Que em chegando a casa
Logo tratei de embeber
As tuas palavras
Trazidas dentro dos bolsos 
No coração duma jarra
Sem flores.  


estúpidos poemas


E os ruídos da rua são assim:
Sobem pela frontaria dos prédios
Penetram nas janelas abertas ao verão,
Chegando depois a rastejar como repteis
Por entre as frinchas dos vãos.


E eu estremeço como uma corda
De violoncelo puxada
Em direção ao peito
E logo  solta
Da  amarra da mão


Tudo porque estou vivo
Podendo dançar
Na palma da mão
do meu palhaço
de faiança de Limoges
aos  dias pares, alegre 
ímpares, triste.
                                                                Lisboa, 24 sete,2018

estúpidos poemas


Poemas sem pernas é o menos:
Usam muletas ou andam de carrinho
Poemas acamados, ora
Haja alguém para tratar-lhes da higiene,
Das necessidades fecais
E dos alimentar…
Poemas com mãos mutiladas,
Pois então, pintem a macaca usando os pés…

Mas o pior de todos os poemas
São os decapitados como os meus,
Que me deixam sem saber para onde
Terá rolado a minha cabeça
Com os sonhos seus.

                                                                 Lisboa, 24 setembro,2018